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domingo, 21 de junho de 2009

A Amiga foi a banhos...

...e descobriu uma bonita metáfora para partilhar.

"As mulheres são como as ondas do mar: algumas grandes, outras pequenas. Algumas fortes, outras mais fracas. Umas enrolam-nos até à areia, outras passam-nos por cima, outras por baixo, outras nem sentimos e passam-nos ao lado, rebentando em cima da pessoa que estava uns metros mais à nossa esquerda. Algumas queremos subir, outras queremos atravessar. Umas permitem-nos um banho relaxado, enquanto que outras nos embalam, e outras ainda nos dão algum trabalho. Umas ondas levam-nos até à praia, outras afastam-nos da praia e outras ainda são tão grandes que nós apenas mergulhamos e deixamos que elas passem. Mas, geralmente, não dá para andar na praia, num dia de calor, olhar para a água e não querer dar um mergulho. É verdade... as mulheres são como as ondas do mar: monte-as."

Relembro que podem enviar as vossas questões para o Consultório da Amiga, através do mail oblogdaamiga@gmail.com

Um beijinho

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Casamento Gay

Amigas e Amigo (a Amiga vai fingir que este blog só é lido por um só homem e que o resto é tudo moças bonitas, está certo? Considerai-vos elogiadas, moçoilas! Vede como ganho pontos e ainda nem comecei o texto),

A Amiga viu a luz (e não, não foi atropelada, não teve uma experiência de quase morte) em conversa com uma amiga do Norte e percebeu que há toda uma questão a ser apresentada de forma errónea. Falo-vos do tão querido e odiado tema do casamento gay.

Até aqui, a Amiga ouvia falar nesta discussão e vinha para as ruas, cerrando os punhos e gritando a favor do casamento gay, da igualdade, dos direitos civis, da preservação do amor, e do espírito humano, e dos descontos em viagens até Espanha. E quase que espumava da boca quando alguém se manifestava contra, e sofria imenso com isso, e achava injusto, e passava-se. Agora, a Amiga acalmou e assume-se aqui pela primeira vez. A Amiga sai do armário para gritar bem alto: sou contra o casamento gay! Isso mesmo. Contra!

Isto porque a Amiga falou com a tal amiga nortenha e, tal como ela, decidiu ser contra o casamento gay e contra o casamento hetero. No fundo, decidiu ser contra o casamento, ponto. Não há papel assinado no mundo, nem copo de água em tenda branca com convidados a comer cherne ou medalhões de carne com ameixa e uma banda a tocar covers do Emanuel, que diga à sociedade "eu amo-te". Querem dizer à sociedade que amam alguém, gritem-no com toda a vossa força e orgulho. O máximo que este papel e esta festa dizem à sociedade é que: 1- os noivos sabem assinar; 2- os noivos têm um péssimo gosto porque toda a gente sabe que cherne acompanha melhor com covers da Cher (para além de que, no casamento gay se corria o risco de só se ouvir Dina, o que só liga bem com rissois... e ninguém quer ir a um casamento só pelo rissol. É o mesmo que ir a um date só pelo bife que há no restaurante).

A conversa do "o que é que faz um casamento?" levar-nos-ia longe, principalmente se eu estiver algo bebida e começar a enumerar brinquedos sexuais como resposta. Mas posto isto: contra o casamento hetero tal como contra o casamento gay! Estou disposta a fazer cartazes que digam isto mesmo e a ir para as portas das igrejas cerrar os punhos e gritar os meus ideais. Afinal de contas, se dizemos "isto já meteu água" quando algo corre mal, porque é que queremos tanto dar um "copo de água" como festa de celebração do nosso amor eterno?

Temos de pensar em tudo isto.

Um beijinho

domingo, 7 de junho de 2009

Mensagens subliminares... até hoje

Ontem a Amiga lembrou-se que tinha um pedaço da sua sabedoria para partilhar com o mundo. Se o mundo merece? Com certeza. Se é sabedoria, de facto? Há sérias dúvidas mas, apesar de não ser a América, este também é um país livre. Além disso, desde que o Obama ganhou que toda a gente pode tudo. Por isso: posso fazer um post revelando músicas com mensagens subliminares lesbianas algumas das quais bastante puxadas? Sim, posso.

1- Começamos por uma música que pode ser mais poética mas a gayzice está lá na mesma - e não apenas lesbiana. Falo-vos da música "Imagina", do Chico Buarque:

"Sabe que o menino que passar debaixo do arco-íris vira moça, vira.
A menina que cruzar de volta o arco-íris rapidinho vira volta a ser rapaz.
A menina que passou no arco era o
Menino que passou no arco
E vai virar menina!
Imagina! Imagina! Imagina!"

A referência ao "arco-íris" onde um moço vira moça e uma moça vira moço, parece-me óbvia. O que me transpõe para toda uma outra questão: será que a cultura irlandesa nos tenta dizer que no fim do arco-íris, o pote de ouro é a homosexualidade? Serão os duendes gays? Claramente são: nenhum macho mitológico se veste todo de verde e fala cantando, enquanto dança e pula alegre. Mas, sendo os duendes irlandeses as gay as it gets, como é que isto influencia os duendes do Pai Natal? Tudo bem que vestem de vermelho, mas têm um sentido de arrumação, decoração e perfeição mais apurado que o "Queer Eye For the Straight Guy". Amigas, penso que é óbvio: podemos decretar o dia 25 de Dezembro como um feriado colorido.

2- A segunda música é conhecida de muitas de vós (se não for, shame on you*) e chama-se "Gatas Extraordinárias", na voz da Cássia Eller que é a maneira mais gira:

"Será que ela quererá, será que ela quer, será que meu sonho influi
Será que meu plano a bom, será que é no tom, será que ela se conclui
E as gatas extraordinárias que andam nos meios onde ela flui
Será que ela evolui? Será que ela evolui?"

A palavra "criatura" não deixa qualquer dúvida: há que pegar aquela criatura, o que permite que boa parte da música fale apenas nos gostos e no mundo dela - da criatura. Quantas de nós não falaram já em "criaturas"? Quantas de nós não foram já "criaturas"? E, tal como a Cássia, quantas de nós não andam a tentar pegar uma "criatura"?

3- E, finalmente, para apresentar aquela que me parece ser o melhor exemplo de uma mensagem subliminar lésbica precisamos de ir à música Popular Portuguesa e apresentar-vos "A Machadinha". O que tem esta música infantil, pura e cândida de mal, perguntam vocês? Oh pobres almas puras. Pobres, pobres almas puras!

"Ah Ah Ah Minha Machadinha!
Ah Ah Ah Minha Machadinha!
Quem te pôs a mão sabendo que és minha?"

É preciso prova mais evidente?! Quem te pôs a mão?! Em quantas relações humanas é que se põe a mão, assim, hein? MAIS! Em quantas relações humanas é que pôr a mão em alguém pode despontar o ciúme demonstrado no tom de ameaça com que a música se inicia? "Ah Ah Ah" mas não é um "Ah Ah Ah" de quem se ri de uma piada! É um "Ah Ah Ah" tu estás fod#*$!
Mas "A Machadinha" não se contenta apenas com o amor feminino, ela vai mais longe e remete para outra questão social: esta música conta a história de amor de duas mulheres, onde uma é louca e possessiva e manda a outra prostituir-se.

"Sabendo que és minha, também eu sou tua!
Sabendo que és minha, também eu sou tua!
Salta, Machadinha, p'ro meio da rua!"

(pausa para contemplação da letra)

Penso, sinceramente, que não é preciso comentar mais nada.

Um beijinho

* E nunca se esqueçam disto: Shame on you! Shane on me.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Amiga entende a bissexualidade.

Se, por um lado, os humanos são completamente straight em alguns gostos (por exemplo: o bife ou é bem ou mal passado, etc) são também bis em muitas questões: prefiro adormecer para que lado da cama? Jantamos italiano ou nepalês?
E por sermos obrigados a decidir entre duas coisas que gostamos, às vezes cometemos um de dois erros: 1- ou intercalamos os dois gostos freneticamente, para poderos desfrutar de ambos; 2- ou tentamos conjugá-los (por exemplo, pedindo uma pizza de caril de frango com amêndoas. Estou enjoada, com esta analogia. Avancemos, então). E assim surgem (1) a bissexualidade e (2) o voyerismo e a menage. Não há nada de errado com nenhum deles. A não ser com a pizza de caril de frango, mas isso a culpa é minha. Mas há uma diferença entre bissexualidade e dubicidade. Hoje pus-me a pensar neste assunto por várias razões e o meu iPod presenteou-me com uma música da Sô Dona Rita Redshoes, que diz o seguinte: "Somebody ask your name / It could be Jack or Jane".

Ora a questão da bissexualidade compreende-se, principalmente no Verão em que muitas pessoas podem ir na rua a trocar sms's com um colega de escritório e, de repente, lhes entra um decote no olho (acreditem, são piores do que os ciscos). O que a Amiga não entende é a bissexualidade comportamental: que alguém não saiba se gosta mais de dar umas valentes beijocas numa menina ou num menino, a Amiga entende e já teve a mesma dúvida; agora que alguém não saiba dar a entender que não sabe se gosta mais de moços ou moças, já é diferente. O problema é este: não se trata de gostar do Jack ou da Jane, trata-se de ser o Jack ou a Jane.

Olhar para um/a bi e pensar "hoje estará numa de moços ou moças" é uma coisa com a qual aprendemos a viver e que pode até dar uma certa pica. Mas olhar para alguém e pensar apenas "Será bi? Não. Mas parece. Agora disse algo muito hetero. Não, calma, agora agarrou-me... Agora está a rir. Era a gozar?!" é outra completamente diferente. E estas criaturas dúbias sabem muito bem o efeito que têm em mentes gays e/ou heteros inocentes que apenas procuram uma resposta. Para quem tem a fortuna de possuir um gaydar, a resposta pode ser mais fácil mas esta situação não deixa de apoquentar: qualquer pessoa é livre de se decidir pela indecisão... mas decida-se, pá, que para ambiguidades já nos sobram termos como "TVI Informação" ou "Benfica Glorioso".

A todas as amigas ou amigos que andem às voltas com alguém dúbio e ja estejam fartos, aqui vai uma ideia: sabem que mais? A referida música continua. E reza assim: "Somebody ask your name / It could be Jack or Jane / If you don't have the clue / I'll tell you what to do"

Got it? Ah pois!

domingo, 3 de maio de 2009

Do Rock ao Pop

Que é como quem diz, da Shane à Dina... salvo seja (em ambos os extremos da escala).

Assim foi o Lesboa: num espaço engraçado (apesar de não ser o ISA), com gente interessante, bom ambiente e boa música (meu coração não quis acreditar quando passaram MGMT... e também Katy Perry. Maravilhoso!)

Algo me diz que daqui a 3 meses a Amiga quererá ir à próxima. O preço (15€) não é exagerado tendo em conta que oferecia duas bebidas. Qualquer bebida. Não era cá o oferecer duas bebidas desde que seja cerveja, ou sumo, ou água, como aconteceu uma vez no Casino do Estoril (nessa noite, a Amiga não queria acreditar e em sinal de protesto pediu um panaché: gastei cerveja E sumo e eles nem deram por nada, os toinos! Para verem como elas mordem. HA!)

Ora 15€ mais pobre e 2 caipiroskas depois, a Amiga passeou pelo espaço, conheceu gente, reconheceu gente, dançou e divertiu-se que era o objectivo principal. Chegou a casa às 06h30 apenas com uma pergunta na sua cândida mente: "porque é que a bebida acabou a meio da noite?" É que às 5 da manhã já só dava mesmo para pedir cerveja! Nem um panaché havia!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ciclo vicioso

No que toca a saídas à noite, uma pessoa pode escolher uma de duas opções:
- um sítio de sempre, que já conhece;
- um sítio novo, de onde acabará por sair para ir a um sítio de sempre, que já conhece.
Saímos de casa porque queremos e optamos pelo mesmo sítio de sempre. Porquê? Para podermos dizer "nunca há nada de novo, caramba!". E porque é que dizemos isto? Porque precisamos de acumular um determinado nível de exaustão até darmos o murro na mesa, o grito de Ipiranga "Chega! Hoje vamos a um sítio novo!". E só vamos a um sítio novo porque sabemos que, em 70% dos casos nos vamos arrepender, e precisamos disso para voltarmos a querer ir ao mesmo sítio de sempre. É um ciclo vicioso e a maneira como o mundo gira. Se Galileu vivesse nos dias de hoje, ele próprio teria afirmado tal raciocínio! Não é só a rotação e a translação, há também a sistematização! Se Galileu fosse ao Bairro Alto todas as sextas, sairia do interrogatório que os fofinhos da Inquisição fizeram dizendo "Ela mexer, mexer, até mexe... mas empurra-me sempre para o Clube da Esquina".

Os meus sítios do costume são 3 ou 4 locais do Bairro. Os circuitos são conhecidos e assim se salta, semana a semana, o calendário. Depois há as experiências. De todas as que já fiz, destaco uma que começou com uma Timeout que referia um bar lésbico que não conhecíamos. Foi assim que descemos as escadas do Memorial, que de memorável só teve o chapéu de cowboy do barman. Ora pensem comigo: tratando-se (prova A) de mim e (prova B) de um bar lésbico, o que é que está de errado nesta frase? Exacto! "Chapéu", "cowboy" e "barman"! O que havia de mais interessante em todo o bar envolve três palavras masculinas!! Isto é mau marketing!

Ora ou a Amiga teve muito, muito, muito (MUITO) azar na noite que lhe calhou, ou então a caipiroska que bebeu foi, de todo, insuficiente para entrar no espírito. E olhem que a Amiga levou amigos! Mas tirando barmen, dj e um casal enamorado de duas senhoras (enamorado por uma amiga aqui da Amiga mas, ainda assim, enamorado), éramos os únicos presentes no recinto. Depois desta saída, os sítios de sempre não foram postos em causa durante bastante tempo. Mas agora estamos de novo a entrar na fase em que queremos soltar as amarras que nos prendem aos mesmos locais! Queremos, de novo, partir à descoberta, vasculhar esse mundo em busca de novas bebidas, novos porteiros, novas cores, novos ritmos bailando no lusco-fusco de novas luzes, com novas caras e novos números de telefone! Queremos novos espectáculos, novas mesas e cadeiras! E, desta vez, queremos ir até aos arredores!

E iremos, ou não estivéssemos nós fartiiiiinhos dos mesmos sítios de sempre.

O problema é se, nesta nossa busca, encontramos um cantinho novo que se torna num cantinho de sempre... aí está tudo estragado. Ai, ai. Ela mexer, mexer, até mexe... mas às vezes é pequena de mais!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Mamas ou Maminhas?

Por vezes a Verdade do mundo revela-se à frente dos nossos olhos e é nessas ocasiões que devemos saber olha-la e reconhecê-la. Falei-vos ontem de uma questão: maminhas e pilinha. Para vos explicar esta teoria é necessário aborda-la do seu ponto de vista mais sério e do seu ponto de vista mais comum.

Comecemos pelo primeiro, ao qual poderemos chamar a Esfera Filosófica de Maminhas ou Pilinha. O uso do diminutivo é uma das provas mais irrefutáveis da existência de uma relação entre o sujeito A que profere a palavra e o sujeito B, dona ou dono dos atributos mencionados. A diferença coloca-se, portanto, no tipo de relação entre A e B e o que C (as maminhas, a pilinha ou outro aspecto físico a salientar) representa para ambos. Supondo uma relação saudável, com cumplicidade, comida partilhada e todas essas questões que fazem duas pessoas serem um casal, dizer "mostra-me cá essas maminhas" não só é amoroso como sexy. Pessoas estranhas não têm maminhas. Isso seria ridículo! Pessoas estranhas têm "mamas", "gandas mamas", "balões", "prateleiras", "mamas feias" ou na versão mais admirada "cum camandro! Como é que a mulher se equilibra?!". Neste caso, o sujeito A admira B mas não sente C como C, mas sim como B' - ou seja: um atributo de B mas que apenas a B pertence e que A pode olhar, admirar, comentar e até mesmo tocar. A distância temporal que A leva a transformar a B' de B em C depende da relação AB ou da taradice de um dos sujeitos. De salientar que a relação AB não obriga ao diminutivo, mas o mesmo está presente, como hipótese comunicativa. Na frase "Gosto das tuas mamas" A demonstra, através de um acto performativo, que gosta de facto das mamas de B e que pretende fazer algo quanto a isso, sem especificar a altura para o fazer. Na frase "Gosto das tuas maminhas" A demonstra não só gostar como ter à vontade com B e com C para o dizer.
É tão merecedor de injúria o descrente que diga "quero meter conversa com aquela senhora, pois a mesma apresenta umas belas maminhas" como o descrente que diz "maminhas é desprovido de sentido em qualquer situação da vida humana!". Mesmo que não gostem da palavra, acreditem que atingirão um grau de felicidade quando olharem para alguém e sentirem que, se quisessem, poderiam dar esse passo. É o eterno "Se eu quisesse, dizia-te das boas!" que governa este mundo.

Passemos agora à Esfera Prática de Maminhas ou Pilinha. A Amiga explicou esta teoria a alguém que, apesar de ter mamas, poderia facilmente ser candidata ao posto de sujeito B. No dia seguinte à conversa, a candidata falava no messenger ainda sobre o mesmo assunto e resolve proferir a seguinte frase:
- "mamas, maminhas?"
No segundo a seguir, colegas de trabalho perguntavam-me porque é que tinha caído da cadeira e porque é que tinha espirrado iogurte por toda a minha mesa. Ao partilhar esta conversa com o Amigo, o desgraçado resolveu repetir-me a frase sem a vírgula, perguntando-me apenas "mamas maminhas?" as vezes suficientes até a minha resposta ser apenas um suspiro e um olhar vago pela janela do carro.

Disse-vos no início deste texto que a Verdade do mundo, por vezes, se revela à frente dos nossos olhos e é nessas ocasiões que devemos saber olha-la e reconhecê-la. A Verdade, neste caso, era simples: por muito que eu quisesse transformar um par de mamas em algo superior, não estava de todo preparada para reagir a trocadilhos deste género, não de forma controlada, pelo menos.

A partir desse dia, deixei de beber iogurte, sumo ou água enquanto tinha conversas no MSN. E na vez seguinte que encontrei a candidata, só olhei para ela do pescoço para cima.